Lembranças

6 de mai. de 2011
Mateus Wasculewsky
         Acordo, pego o ônibus, em busca de algo perdido, e em direção apenas ao futuro. Antes do sol, me levanto, saboreio meu café, forte e amargo, tomo um banho demorado, me visto, faço a mala, apenas com o necessário. Vou em direção ao centro da cidade, mais especificamente a rodoviária. Vou pra cidade onde conheci ela, que também é a cidade onde vivi minha infância e adolescência - uma cidade do interior do estado, razoavelmente pequena, mal possui carros, bem bonitinha até, com suas ruas de pedras e casas de madeira - foi lá que eu cresci, estudei, vivi meu primeiro beijo, em fim, foi lá que eu vivi até partir a procura de melhor condições de vida.
        No ônibus, que leva umas cinco horas pra chegar lá, começo a me lembrar de minha vida, principalmente da sétima série, quando eu a conheci na festa de quinze anos de uma amiga minha.. Vi ela pela primeira vez, me lembro perfeitamente, ela estava usando um vestido vermelho, com os cabelos soltos, negros e encaracolados, olhos esverdeados aparentando uma esmeralda, rosto com pouca maquiagem, pois ela n precisava de nada pra realçar sua beleza, a única coisa que ela tinha em seu rosto perfeito era um batom vermelho vivo. Pergunto pra um amigo meu quem era, e ele disse que nunca tinha visto.
        Do mais absoluto nada, estava eu e meu amigo sentados em sofá que tinha na festa, afinal, estávamos cansados de dançar. Do mais absoluto nada, vejo ela vindo em minha direção, meu colega fala que vai dar uma volta, só que não respondo, pois vendo ela fiquei estático, sem reação, e ela continua em minha direção e meus joelhos batem, meu coração palpita e ela fala "Oi!", e eu fico sem voz, quando eu ia falar oi não consegui, ai ela começou a falar:
-Quando digo "Oi" espero um oi de volta, não aprendeu isso não?
-Me desculpa, estou meio perdido.-Tudo bem, qual seu nome?
-Alan Pierre, e o seu?
-Manuela Silveira, prazer.
-Você é daqui?- Eu pergunto
-Não sou da capital.
-Hum... Você veio somente pra essa festa?
-Não, vim passar a semana na casa de minha tia.
-Hum...Quer dançar?
-Não sei, eu danço muito mal.
-E dai? Vamos lá!
-Tudo bem.
      Um sorriso surge timidamente no rosto de ambos, e nós passamos o resto da noite dançando.
       No outro dia, chego em minha escola, e me sento em meu lugar, coloquei minha cabeça sobre a classe e dormi uns quinze minutos. Mas me surpreendo quando a professora diz:
- Bom classe, essa é a nova colega de vocês pelo resto do ano letivo. Por favor, se apresente aos seus novos colegas.
-Olá, meu nome é Manuela, mas podem me chamar de Manu.
-Sente-se ali por favor.-Diz a professora.
    Oh meu Deus, comecei a ficar nervoso. Era você. Ela se sentou no meu lado, me disse um oi, e dessa vez consegui responder, e como no dia da festa estava linda. Mal me concentrei na aula, no intervalo vi ela saindo, mas me apressei e logo fui falar com ela.
-O que você está fazendo aqui?
-Oi pra você também.
-Ah, desculpa.
-Não foi nada, estou estudando né.
-Tá mas, você não mora na capital? Acho que é meio longe.
-Era, mas agora estou morando com minha tia de vez.
-Como assim de vez?
-Ah, é uma longa história, algum dia te conto.
-Tudo bem..[...]
     Continuamos a conversar até que terminou o recreio. Entro na aula, até o meio dia, fico lhe olhando e perdido em pensamentos confusos.
     No ônibus, olho o relógio e vejo que ainda falta umas duas horas pra chegarmos.
     Caio no sono. Sonho que encontro aquela mesma menina, doce e meiga que eu conheci a tantos anos.
     Me lembro de um final de semana em que você levou um fora de seu namorado e você me ligou pra te mim ir te fazer companhia. Você estava soluçando, com o rosto em um travesseiro molhado de lágrimas, e seus olhos vermelhos. Fui a sua casa, você estava em seu quarto, e lá está eu te consolando, com um abraço firme e forte de melhor amigo.
     Mas algo aconteceu, você deu um beijo em meu rosto, e eu olhei pra você, assim como vc estava me olhando. Nós nos aproximamos, e nossas bocas ficaram a poucos centimetros uma da outra. Ficamos alguns segundos parado ali, somente sentindo a respiração um do outro, então nos beijamos longamente, dava pra sentir ambos corações batendo em um rítimo freneticamente acelerado. Passo as mãos em suas costas e sinto elas pegaram fogo assim como meu rosto. Você coloca as mãos em minha barriga e depois começa a descer colocando entre as pernas, beijo seu pescoço, colocando a mão em sua nuca e você começa a tirar minha camisa, durante toda a noite nos amamos, foi a melhor noite de minha vida.
     No ônibus, minha mente fica imaginando como você estaria. Se estaria casada, se teria filhos, se lembraria de mim, em fim, como seria nossa primeira conversa em anos.
     No ônibus,abro os olhos e vejo que chegamos a rodoviária de meu destino, desço do ônibus com esperança de te encontrar, vejo que a cidade cresceu desde a última vez que eu estive ali. Resolvi começar a procurar por você, começando pela casa de sua tia.
      Mas a busca continuará em outra oportunidade, muito obrigado pela atenção.

0 comentários:

Postar um comentário

Blog do Wascu