No dia de minha morte

2 de mai. de 2011
Mateus Wasculewsky
         Tudo começou em um dia casual, acordei mal depois de dormir pior. Seis horas marca o relógio, me levanto coloco água a aquecer e entro no banho. Seis e doze saio do banho, faço meu café forte e amargo, como de costume, me aqueço um pouco, pois afinal é maio e já estamos quase em pleno inverno. Pego o celular do bolso já são dez para sete , vejo que estou atrasado, saio de casa correndo e já estressado, só encostei o portão pois não tinha tempo de fechar.Olho em direção a esquina, alvejo o ônibus, saio correndo, mas já são 5 para as sete e já estou cansado, não consigo alcançar. Desanimado vou em direção ao ponto de ônibus, agora só tem ônibus as sete e meia. Já me estresso mais pensando na bronca que iria levar do meu chefe - um gordo, chato, insensivelmente, corrupto e com um saco de três quilômetros, pois todos os puxam, exceto eu e mais um cara-. Chego no trabalho oito e meia, meia hora mais atrasado do que de costume, e como previsto, recebo uma chuva de ofensas. Só que algo ocorreu em mim, subiu sangue em meus olhos, segurei firme o teclado, me levantei, virando devagar, colocando toda força que eu consegui reunir em meus punhos e acertei em cheio aquela cara gorda.
         Foi ótimo, abri um leve sorriso em meu rosto e quando sai, olho no chão algo branco meio amarelado com um pouco de sangue, me agacho pra ver o que é. É um dente canino, guardo em meu bolso e me retiro ao som de meu chefe gemendo de dor e gritando que iria me processar.
         Sinto fome, já são onze e meia, vou em direção ao centro da cidade, ponho a mão no bolso e retiro minha carteira, vejo que só tenho uma nota de cinco reais e algumas moedas, vou até uma barraquinha de cachorro-quente. Como o cachorro-quente com uma lata de coca-cola, devoro aquilo vagarosamente como se fosse a ultima refeição de minha vida, deliciando-me de cada sabor. Já são treze horas e trinta e um minutos, quando olho um relógio digital de uma praça que estou sentado, o qual tem uma propaganda de uma loja de armas.
          Sentado ali surge uma sensação, a qual foi retirada do recanto mais sombrio da minha alma. Me levanto e caminho para a loja de armas da propaganda, que fica do lado oposto da praça, são duas e quinze, fico durante uma meia hora escolhendo uma arma que fosse de meu agrado. Até que finalmente escolho uma pistola nove milímetros de fabricação russa.
            Lentamente me direciono ao prédio mais alto, subo até o térreo -coisa muito fácil, pois apesar de ser o maior, também é o que possui a segurança mais falha de toda a cidade-. Vou para a beirada e começo a pensar: "Então é isso? É assim que vai ser? Foi isso que a vida me reservou? Poucas mulheres, pouco dinheiro, muitos problemas, um emprego miserável e o pior de tudo, a inexistência de um amigo verdadeiro.
            Mas será que isso é verdade: Será que não foi eu que fez tudo errado? Quando eu encontrei amizade, não foi eu que dei as costas para ela? Será que se eu tivesse me defendido daquele valentão, o qual todos os dias durante oito anos apanhei e tive minha cabeça enfiada na privada, hoje eu não saberia me defender de meu ex-chefe? Será que dei ouvidos as pessoas erradas? A respostas para todas as perguntas é sim."
             Peguei a arma que estava ao meu lado e coloquei minha cabeça, depois de horas ali sentado naquela beirada, observava as pessoa como se fossem formigas, as luzes da cidade são tão lindas a noite eu conseguia ouvir apenas algumas sirenes e uns ecos de tiros,. Por horas me lembrando de todas as coisas que acontecera comigo, já era onze horas e cinquenta e oito minutos, e pensei comigo, "Esse dia tão casual, consegui tornasse o ultimo de minha vida.Adeus vida!"
             Mas uma imagem veio a minha mente antes da bala. É a imagem de uma garota que eu conheci na sétima série na minha cidade natal. Essa menina foi a unica que um dia me deu importância, Pego a arma e a arremesso longe na cidade, pego o elevador e desço. Tinha um caixa eletrônico ali perto, retiro todas as minhas economias e pego um taxi, vou para a casa, são uma e meia da manhã.
          Logo darei continuidade a esta história, agradeço a atenção.
                                                                                               Mateus Wasculewsky

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